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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Ser Organista...



Poucos entendem o mistério da música. Quando eu olhei o órgão pela primeira vez, no meio daquela bagunça que se formava ao meu redor, eu o vi como um convite a algo completamente novo.

Coloquei meus dedos sobre ele pela primeira vez e senti algo diferente inundar a minha mente. Quando dedilhei as teclas, mal sabendo as notas, algo notável aconteceu. Senti minhas mãos moverem sozinhas, no ritmo daquela melodia sinfônica, como se de repente, eu houvesse encontrado sentido diante da vida.

Nada se compara a sensação que tenho quando toco. Diante de todos os meus medos, da infelicidade que existe lá fora, a música me transporta para longe disso tudo. Em meio a um milhão de pensamentos horríveis, fraquezas que me afastam de Deus, ela entrou como uma luz que aos poucos, foi clareando a escuridão. Sinto todo o meu corpo estremecer diante do impacto que ela causa dentro de mim. Agora, movida pela melodia, já não é mais o corpo que sustenta a minha alma, e sim, a alma que controla tudo. Eleva-me ao alto, á um lugar mágico, onde eu sinto que não estou mais sozinha.

Aqui em baixo, quando ninguém mais está notando o efeito que a música causa dentro de mim e de como ela me salva das trevas, eu me aproximo de Deus. Por um instante eu já não me sinto pequena, e continuo a subir conforme aumento a frequência do som. E no meio do barulho que existe lá fora, Deus ouve meu choro, ouve o meu lamento, e através da música, Ele me da à certeza que tudo vai acabar bem.

Os sentimentos mais profundos do meu coração podem ser entendidos e compreendidos pela música. Eu a vejo traduzindo esta pilha de emoções em cada nota tocada.


Ela é muito mais do que as pessoas acreditam que seja, do que elas podem compreender. Mas a cima de tudo, ela se tornou o meu verdadeiro milagre inacreditável.



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